segunda-feira, 6 de abril de 2015

COMO SE TORNAR UM FOTÓGRAFO..

Para Letícia..

Fotógrafa de moda. Fotógrafa de casamento. Fotógrafa publicitária. Fotógrafa amadora. Fotógrafa profissional. Se você quisesse ser fotógrafa, que tipo de fotógrafa você queria ser?

Hoje em dia tem muita gente querendo aprender fotografia, e tem muita gente querendo ajudar também. Tem gente que quer ser profissional, tem gente que só quer fazer fotos legais para registrar uma viagem. Independentemente do teu caso, eu te recomendaria dar uma rápida pesquisada no Google, e eu não duvido que você encontrará algumas dicas bem valiosas.
Porém, acho que algumas coisas bastante óbvias muitas vezes são deixadas de fora. Pouca gente fala delas, se é que algum dia alguém falou delas.

É meio estranho escrever isso pensando em ti, mesmo sabendo que você gosta de escrever, não de fotografar .. haha. Mas acho que existem coisas em comum entre a gente, mesmo nos dedicando em artes tão distintas (embora eu não as considere tão diferente assim)
Então, do que a gente precisa para sermos bons fotógrafos/as ou escritores/as?
Não sei bem ao certo por onde começar, mas, vamos lá:

Acho que a gente não pode ter medo de errar, nem ter vergonha de ser quem a gente é. Acho que a gente tem que parar de se preocupar com os outros, com o que vão pensar da gente. A não ser que você queira vender teu trabalho, queira ganhar muito dinheiro com ele. Bem, eu quero fazer arte, e acho que arte você também quer fazer. Não que artistas não ganhem dinheiro ou que sempre acabam morrendo de fome - mas o fracasso é uma possibilidade tão real quando o sucesso. 
Não acredito em gênios geniais, nem acredito em dom ou em pessoas que nascem com ou sem ele. Bem, pode ser que alguns nasçam com uma habilidade e tal, mas do que adianta habilidade se não existe interesse? Acho que a gente se descobre aos poucos, descobre o que gosta e o que não gosta. Pra isso a gente precisa experimentar o mundo, reavivar aquela nossa curiosidade de infância. E não ter medo de cair, nem medo de se machucar. Só assim a gente aprende a andar com as próprias pernas. 
Acho que a gente precisa se apaixonar. Precisa amar ao menos uma vez na vida. Isso é bom porque nos faz enxergar a vida com outros olhos. Para os fotógrafos - é um novo OLHAR. Tem disso sabia?! As pessoas comentando do "olhar do fotógrafo". Eu acho graça. Dou risada. As vezes acho palhaçada como as pessoas dizem. Não se desenvolve o OLHAR treinando o olho - o OLHAR vem naturalmente quando a gente amadurece o coração. Sem isso, toda técnica é vazia. 
Saber conjugar o verbo, começar o parágrafo no lugar certo, respeitar a pontuação - bons livros não precisam necessariamente respeitar as regras. Do contrário, poesia não rendia livros. Acho que na arte tudo é válido. Conhecer as regras é importante - mas saber quebra-las também é. E quem é que ensina? Mas tudo isso vem com o tempo também, vem com a vivência. É preciso muito mais do que inteligência - é preciso sensibilidade. 
Temos que viajar, ver o mundo com os próprios olhos. Até porque assim a gente aprende a ver com outros olhos o lugar onde a gente vive, as pessoas que a gente convive. E tudo isso se reflete na nossa fotografia, ou na nossa escrita. Quando a gente se dá conta de que nunca mais veremos uma pessoas querida. Quando a gente percebe que já se apaixonou tantas vezes e fica se perguntando - por onde andará? Quando a gente chega cansado em casa e escuta aquela música que ficou o dia inteiro na cabeça, quando a gente assiste novamente aquele filme tão querido da infância (no meu caso, esse filme é o Rei Leão), e quando a gente vai aos poucos deixando de ser máquina e vira gente. Quando aos poucos vamos nos tornando humanos mais humanos. Não tem como ensinar isso, mas no fim, acho que todo mundo sabe que vai aprender.  
Quando se aprende isso, não importa a profissão - talvez não sejamos os melhores, mas certamente seremos únicos. E quando se é único, já se é tudo o que é importante ser.

 





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